Frederic Cardoso: “Sinto-me feliz por fazer algo pelo qual trabalhei e continuo a trabalhar: ser Músico”

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Frederic Cardoso

Diz-se português, mas nasceu em Genebra, na Suíça, há 29 anos. À semelhança de tantas outras pessoas, também os seus pais foram emigrantes, entre o final dos anos 80 e o início dos 90. Chegou a Portugal com quatro anos e desde os oito que estuda clarinete. Falamos de Frederic Cardoso com quem conversámos a propósito do seu segundo trabalho discográfico a solo “Mixed Dialogues”. Um CD dedicado à Música Contemporânea Portuguesa para Clarinete Solo.

 

 

 

Como surgiu esta aproximação ao clarinete?
Tudo começou aos oito anos, na Banda Juvenil de Gouviães, em Tarouca, quando um dos meus professores se apercebeu que eu tinha uma natural apetência para o solfejo e me indicou este instrumento.

Qual é a sua formação académica?
A nível académico estudei na Academia de Música de Tarouca, com os professores Jaime Dias e José Cardoso (instrumento), e Francisco Guedes (formação musical). Posteriormente, estudei na Escola Profissional de Mirandela, na Classe de Clarinete do professor Filipe Silva, onde concluí o Curso Nível 3 de Instrumentista de Sopro. Licenciei-me e realizei o Mestrado em Interpretação Artística – Especialidade Clarinete, na Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo do Porto, na Classe de Clarinete dos professores António Saiote e Nuno Pinto. Desde o ano letivo transato, sou Mestre em Ensino de Música pela Universidade do Minho e, neste momento, estou a frequentar o Doutoramento em Interpretação Artística – Especialidade Clarinete, na Universidade de Évora.

Dedica-se à música a 100%. Não só como intérprete, mas também como professor. Qual lhe dá mais prazer, tocar ou ensinar?
Ambas me dão muito prazer, pois exerço-as com uma enorme paixão e entrega. Contudo, a conjugação de ambas é bastante difícil, pois obriga-me a realizar uma grande gestão do tempo, pois para um intérprete que se apresenta em performance de uma forma regular são necessárias muitas horas de estudo e dedicação. O papel de professor acaba por completar tudo aquilo que realizo dia após dia, porque defendo que o professor mais do que um guia para o aluno deve ser sempre um grande exemplo de perseverança e mestria.

É professor apenas de Clarinete ou ensina outros instrumentos?
Neste momento sou professor de Clarinete e de Orquestra de Sopros no Conservatório de Música de Paredes.

É difícil aprender a tocar Clarinete?
Como qualquer outro instrumento, seja ele de sopro, corda ou percussão, o clarinete precisa que exista, por parte do aluno, um estudo diário e metódico, tendo em conta as premissas dadas pelo seu professor, aula após aula. É impossível dissociar a perfeição, mesmo que praticamente inatingível, de um estudo persistente e racional.

Onde costuma atuar? E qual a reação do público ao seu trabalho?
Enquanto intérprete profissional sou freelancer, tendo nos últimos anos colaborado com alguma frequência com a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e o Remix Ensemble Casa da Música. Tenho também vários projetos com os quais me apresento com alguma regularidade, nomeadamente: Ar de Rastilho Fanfare Band, Dual Sundway, Frederic Cardoso – Clarinet & Electronics Project, e Triedro. Na área do teatro, em fevereiro deste ano tive a oportunidade de colaborar novamente com o Ensemble de Atores, no espetáculo “Quarteto para o Fim dos Tempos”, encenado por Jorge Pinto. Na área da Música Contemporânea, que é o principal motor da minha formação e investigação diária, tenho realizado dezenas de estreias de obras em Portugal, Alemanha, Bélgica, Espanha e Holanda. A reação do público é geralmente muito boa nas diversas vertentes musicais em que me apresento. Sabendo, porém, que o caminho se faz caminhando, e nunca descurando uma dedicação regular e exemplar.

O que é a Música para si?
De um ponto de vista performativo, é um meio de comunicação entre o intérprete e o ouvinte. É a forma de expressão do intérprete, devendo por isso esta ser clara e eloquente, dando ao ouvinte a possibilidade de se sentir parte da performance musical.

E o que sente quando toca?
Acima de tudo sinto uma felicidade enorme por fazer todos os dias algo pelo qual trabalhei tanto e continuo a trabalhar dia após dia: ser Músico. Acredito que a performance musical é sempre um momento muito especial pois, ao contrário de qualquer outro artista, o Músico tem apenas uma oportunidade para se expressar e isso faz com que o momento seja de grande paixão e mestria artística, sendo o espelho de várias horas de estudo individual.

Antes de falarmos sobre o CD “Mixed Dialogues”, fale-nos um pouco sobre os outros trabalhos que já gravou.
Já tive oportunidade de gravar vários trabalhos discográficos, em diversas áreas da música. O CD “Mixed Dialogues”, dedicado à Música Contemporânea Portuguesa para Clarinete Solo, é o meu segundo trabalho discográfico a solo, depois de em 2015 ter apresentado o CD “Press the Keys”, do Frederic Cardoso – Clarinet & Eletronics Project. Em 2012 tive a oportunidade de fazer parte da Orquestra Fundação Estúdio, sob a direção do maestro Rui Massena, na gravação do CD “David Chesky’s – The Zephyrtine Ballet”. Em 2013 integrei a Banda Sinfónica Portuguesa, sob a direção do maestro Francisco Ferreira, na gravação do CD “Oásis”, que teve como solista convidado o saxofonista Antonio Filipe Belijar. No mesmo ano participei na gravação do CD “Pés que Sonham ser Cabeças”, da banda pop MESA. Em 2016 gravei o CD homónimo “Triedro”, um projeto do qual faço parte, com Ricardo Pinto no piano e Paulo Costa na percussão, tendo sido considerado um dos melhores CD’s do ano para a jazz.pt. Em 2017 apresentei o CD “Mão de Ferro”, da Ar de Rastilho Fanfare Band, um projeto do qual também faço parte; e gravei a obra para clarinete baixo solo “Metamophosis and Resonances” do compositor Hugo Vasco Reis, para o seu CD dedicado às suas obras para instrumento solo intitulado “Metamophosis and Resonances”. Este CD foi finalista no Prémio Sociedade Portuguesa de Autores, na categoria de Música Erudita.

 

FREDERIC CARDOSO 2_6

Em que consiste o CD “Mixed Dialogues”?
O CD “Mixed Dialogues”, dedicado à Música Contemporânea Portuguesa para Clarinete Solo, é constituído por sete obras de sete jovens compositores portugueses. São eles: Alain M. Rosa, André Rodrigues, Bernardo Lima, Carlos Brito Dias, Hugo Vasco Reis, Luís Neto da Costa e Rodrigo Cardoso.

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