Viviane revisita o passado e canta Edith Piaf

Viviane - Edith Piaf shoot 2017-3-2

É uma daquelas vozes inconfundíveis, com um estilo muito próprio. Depois dos Entre Aspas – banda que fundou em 1990 com Tó Viegas, e que durou 11 anos, enveredou por uma carreira a solo, em 2005. Não foi uma mudança fácil, como admite, mas hoje tem uma carreira consolidada, tanto nacional, como internacionalmente. Em 2020 pretende voltar aos originais, mas por enquanto está a promover o seu mais recente trabalho discográfico “Viviane canta Piaf”, mote para a entrevista ao nosso blogue.

 

Como e quando surgiu a ideia de gravar este CD, exclusivamente com canções de Edith Piaf”?
Antes de mais, trata-se de uma homenagem à cantora francesa Edith Piaf. Este CD surge na sequência de um espetáculo realizado há dois anos. Um espetáculo que se integrava numa série de três concertos diferentes, que realizei no Teatro Municipal das Figuras, em Faro, enquanto Artista Figuras 2016, a convite do Teatro. O concerto teve uma grande aceitação e as pessoas começaram a perguntar-me se eu não tencionava gravar estas canções. Além disso, as pessoas que trabalham comigo também manifestaram esse interesse. Foi assim que decidi fazer este álbum, porque achei que fazia sentido.

No concerto que deu na Casa da Música, no Porto, partilhou com o público que este ‘era um sonho já com alguns anos”. Porquê agora?
Sim, de facto, eu já tinha começado a cantar algumas destas canções por brincadeira, ainda antes de iniciar a minha carreira com os Entre Aspas, mas o meu percurso musical levou-me por outros caminhos e só agora, passados 13 anos do início da minha carreira a solo, é que senti que estava preparada para gravar este repertório. O que é uma enorme responsabilidade.

O facto de ter nascido em Nice, França, influenciou, de algum modo, o seu gosto pela música francesa, em particular por Edith Piaf?
Sim, claro, pois embora Edith Piaf não fizesse naturalmente parte das minhas preferências musicais quando criança, era uma cantora que se ouvia muito, um pouco por todo o lado, à semelhança de Amália Rodrigues em Portugal.

“Viviane canta Piaf” é composto por dez canções. Foi difícil fazer a selecção?
A minha escolha recaiu em dez canções bem conhecidas de Edith Piaf. Eu quis mostar, através destas canções, as várias facetas da cantora. A faceta apaixonada e sonhadora com os temas “La vie en rose” (numa interpretação muito pessoal) e “L´hymne à l´amour”, mas também irreverente com os temas “Jonnhy tu n´es pas un ange” e ” L´homme à la moto”.

Nos concertos o público é surpreendido com temas que não constam no CD, nomeadamente “Milord”, “Sur le Ciel de Paris”, entre outros. É a sua maneira de presentear quem a vai ouvir ao vivo.
O concerto tem efectivamente mais canções, não as gravei todas no CD, pois assim o público é sempre surpreendido por mais êxitos que sabem sempre bem ouvir.

Antes de cantar, conta ao público a história de cada canção. Porquê?
Parece-me importante contar as histórias das canções porque dão a conhecer um pouco mais da vida da cantora, como aquela que ela cantou na noite em que o seu maior amor, Marcel Cerdan, morreu num acidente de avião ao ir ter com ela a Nova Iorque. Faço-o, também, porque pode haver pessoas que não percebem bem o francês e ouvir as histórias destas canções torna-as ainda mais especiais.

As suas escolhas tiveram em consideração a história de cada canção que gravou?
Também, mas principalmente o prazer que cada uma destas canções me dá ao interpretá-las.

A maior parte das canções de Edith Piaf são românticas, apaixonadas, mas também as há irreverentes e outras bem representativas do quanto sofreu. Quer recordar-nos um pouco desta mulher, para além das canções?
Edith Piaf teve uma vida cheia de reversos, desde a sua infância. Faleceu muito nova com 47 anos, com muitos excessos de álcool e medicamentos devido a uma artrite reumatoide que lhe provocava muitas dores. Apesar de tudo isso, Edith Piaf sempre fez prova de muita força de vontade e determinação. Era uma mulher romântica e apaixonada e tinha uma personalidade bastante irreverente. O palco era a sua paixão, deu a mão a muita gente e tinha um talento único, que fez dela uma das maiores cantoras de sempre, que merece ser relembrada e dada a conhecer às gerações mais novas.

O que mais gosta em Piaf? As letras? As melodias? A atitude com que cantava? A postura em palco? A resiliência?
É tudo isso que me fascina neste repertório. Eu identifico-me mesmo com todo este universo. Ela era, de facto, uma cantora fantástica e estas canções são tão boas que achei que deveria trazê-la para o presente.

Ao vivo, em alguns temas, podemos ouvi-la a tocar flauta, como uma extensão da sua voz. Qual é a sua relação com este instrumento?
A flauta foi o instrumento que estudei no conservatório e continuo a tocá-la sempre que posso, tanto neste como no meu próprio repertório.

Outro dos seus fascínios recai no acordeão. O que tem este instrumento de especial para si?
O acordeão recorda-me o ambiente parisiense dos bailes populares e das Musettes, recorda-me a infância. Este repertório, sem acordeão não teria muito sentido porque na época destas canções ele era um instrumento muito popular. Nos primeiros discos da minha carreira a solo, também usei o acordeão juntamente com a guitarra portuguesa, precisamente porque representam as minhas influências da “Chanson” e do Fado.

Chegou a Portugal com 13 anos. Nessa altura, já sonhava ser cantora ou pensava seguir outra carreira?
Desde criança que a música e o canto me fascinam e embora tenha tirado um curso na área do Turismo, o palco acabou por falar mais alto.

Começou a sua carreira profissional em 1990 com o grupo ENTRE ASPAS. Um projecto que durou até 2001. A partir de 2005 decide arrancar com uma carreira a solo. Como têm sido estes 13 anos? E que projectos tem para o futuro, além de promover o álbum que acaba de lançar?
Estes últimos 13 anos têm sido de crescimento. No início, não foi fácil que as pessoas assimilassem a minha nova sonoridade, pois a mudança foi grande entre o Pop Rock da menina das trançinhas e a sonoridade “Fado mediterrânico”, em que ficaram para trás as guitarras elétricas e apareceu a guitarra portuguesa. Hoje em dia, isso está ultrapassado, tenho uma carreira que tem conquistado não só o público português, mas também além-fronteiras.
Depois de “Viviane canta Piaf” (umas aspas na minha carreira), vou voltar aos   originais, lá para início de 2020.

Qual é a agenda dos próximos concertos?
Felizmente, tenho bastantes concertos agendados para este ano.
Em Julho vou estar em Arcos de Valdevez (dia 11), em Tavira (dia 27) e em Lisboa (dia 29). Depois, sigo para a Lituânia para uma tournée, mas já tenho mais datas agendadas até ao fim do ano, que podem ser consultadas na minha página de facebook: www.facebook.com/vivianeartist

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